sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Congelando na terra dos loiros e dos dias curtos

O que fazer quando o inverno chega mesmo? Fugir para um paraíso tropical se possível, certo? Errado, pelo menos para a gente. Já que estávamos no inverno do hemisfério norte decidimos ir em busca do frio de verdade e seguir rumo ao Círculo Polar Ártico. Nossa primeira parada na Escandinávia foi em Copenhagen, capital da Dinamarca, hoje uma pequena nação que também controla a Groelândia, mas preserva ainda o orgulho de ter sido o principal país viking de outrora. Lá existem algumas questões bem paradoxais, enquanto pesquisas mostram o povo dinamarquês como o mais “feliz” do mundo (satisfeito com sua qualidade de vida) as altas taxas de suicídio tanto dali como de toda Escandinávia sugerem o contrário.

Algumas características dos países do norte da Europa incluem bons salários e segurança profissional, as licenças maternidade variam, mas em geral a mãe pode ficar no mínimo um ano afastada do trabalho recebendo seu salário integral podendo estender esse período ganhando um pouco menos, mas sem perder o emprego e outra: o pai também tem um bom tempo pra ficar com o bebê. A impressão que se tem é de que tudo funciona, tudo é fácil, limpo, informatizado, dá pra resolver tudo na internet, ninguém te incomoda, ninguém tenta te passar a perna ou dificultar as coisas, cada um exerce a sua função e tem plena noção de que tem que fazer a sua parte.

Os impostos são altos, é o preço do sistema. Sistema que eles acham que está ameaçado e enxergam isso como um grande problema. Enquanto no Brasil lidamos com corrupção e violência, a Escandinávia e diga-se de passagem toda a Europa enfrenta uma verdadeira febre de imigração (principalmente de norte africanos e turcos).

Muitos dos imigrantes são ilegais e assim não colaboram em nada para o sistema, muitas vezes são responsáveis pela criminalidade, já que sem a papelada adequada não é tão fácil conseguir um bom emprego. Os imigrantes legais geralmente vivem em vizinhanças de imigrantes, verdadeiras bolhas e não interagem com as pessoas locais, não aprendem o idioma e colaboram para a manutenção do preconceito.

Em Copenhagen ficamos hospedados na casa da Aase uma senhora fantástica que além de nos deliciar com comidas típicas (o pudim de arroz foi o meu preferido) ainda nos contou um monte de coisas sobre a cidade e o país. Hoje em dia quem quer o título de viking tem que tomar banho de mar pelado todos os dias durante o período de um ano.

Dane-se o frio, acha que é coisa de louco, que ninguém faz isso? Que nada, tem muita gente que faz, em um dos nossos passeios depois de sair do Deer Park, um parque cheio de veados, visitamos uma praia e não deu outra.

Estávamos ali conversando, quase congelando e de repente chega uma senhora de roupão do nosso lado, tira tudo e se joga no mar peladona, depois de alguns segundos levanta, se enrola e vai embora como se nada tivesse acontecido e amanhã de novo, e depois de amanhã também. A Dinamarca também é o país do Hans Christian Andersen de vários contos de fadas como O Patinho Feio e A Pequena Sereia.

Visitamos a estátua da sereia, o forte, o centro, o Tivoli que é um dos parques de diversões mais sofisticados e bem decorados do mundo e símbolo de Copenhagen. Agora nada mais pitoresco que Christiania, um bairro surgido a partir de uma comunidade hippie, bem próximo ao centro. O lugar é inacreditável, com casinhas tão pequenas que parecem de boneca, outras com uma arquitetura bem diferente, na parte mais movimentada desde restaurantes vegetarianos até diversos cafés bem roots onde se comercializa todo tipo de droga.

Diferentemente de Amsterdam onde existem estabelecimentos legalizados e a galera fuma do lado de dentro, em Christiania o comércio é do lado de fora, bem escancarado e um monte de gente fica pra lá e pra cá fumando e andando pelas ruas. De lá seguimos para a Suécia, próxima parada Estocolmo.

Nada melhor do que chegar à cidade do Prêmio Nobel no dia da entrega do prêmio, né? É claro que a gente não sabia, foi pura sorte, mas foi por isso que conseguimos entrar no Museu do Nobel com direito a tour guiado tudo de graça.

Geralmente se paga pra entrar, essa é a parte chata principalmente para nós que nesta etapa européia da viagem estamos contando as moedas. Aqui em cima tudo é muito caro e além disso qualquer coisa que se queira fazer custa uns bons euros. Dos outros museus só vimos a frente durante nossos passeios para conhecer a cidade belíssima que fica espalhada em diversas ilhas bem próximas umas das outras.

Acontece que o melhor da Suécia ainda estava por vir, depois de mais de 20 horas de trem sempre em direção ao norte e sendo cada vez mais cercados por neve chegamos a Kiruna, enfim o esperado Círculo Polar Ártico. Se era neve que a gente queria foi neve que a gente encontrou, uma cidade relativamente grande e com uma baita infra, com supermercado, cinema, carros, tudo e assim no meio do gelo já que neva a maior parte do ano.

É linda demais, mas quem mora lá deve ter sempre um baita trabalho, todo dia limpar a neve da frente de casa, do carro, não é fácil. Para nós Kiruna foi a cidade das tentativas. Tentativa de ver a aurora boreal, tentativa de esquiar... logo que chegamos eu (Aline) estava tão ansiosa para ver uma aurora que me aventurei sozinha madrugada a dentro de baixo de muita neve numa trilha de uns 3 quilômetros. O Preto chegou muito cansado e capotou e eu resolvi tentar mesmo assim.

Na outra noite quando fizemos o mesmo percurso juntos só que dessa vez com céu limpo tive que admitir que com aquela neve seria impossível ver qualquer luz no céu. E o frio? Uma média de 15 graus negativos.

Durante o dia (que durava apenas cerca de 3 horas) fomos conferir a pista de esqui, ai ninguém merece a primeira tentativa de esquiar aos 26 anos. Levei vários tombos lindos, o pior era tentar andar quando tinha que subir num montinho de neve para pegar o elevador, sem chance, sempre escorregava pra trás e via as crianças passando por mim e rindo da minha cara...mas o pior mesmo era ver o Preto fazendo altas manobras com o snow board e eu lá congelada, fazer o que, né?

De Kiruna seguimos para Narvik, costa norte da Noruega. O caminho entre as duas cidades não tem explicação de tão bonito e se viemos até aqui e não vimos auroras boreais nem o sol da meia-noite, pelo menos pudemos contemplar a lua do meio-dia, coisas da natureza. Narvik fica localizada nos fiordes junto ao mar e a sensação térmica era de ainda mais frio, portanto não deu pra ficar na rua por muito tempo.

Queríamos muito conhecer Bergen que apesar de não ser a capital é uma das cidades mais importantes da Noruega, só que para se deslocar até lá era muito caro e difícil sendo assim nossa viagem seguiu rumo a Oslo.

Dessa vez quem capotou fui eu, cheguei lá e ainda saí com o Preto para dar uma olhada na cidade, no cais e no Museu do Munch onde está o famoso O Grito, mas no outro dia não teve jeito, sucumbi aos encantos de um dia na cama acompanhada de dvds. Depois me arrependi, pois perdi de conhecer um lugar pelo qual eu estava bem interessada, o Vigelandsparken, onde estão distribuídas diversas estátuas de pessoas fazendo coisas que todo mundo faz, mas geralmente não sob a forma de estátua.

Só que é assim, se o corpo pede um descanso é melhor não negar, principalmente porque a jornada continua!!!

4 comentários:

Nanda disse...

Oi gente, só não congelei lendo pqpassei o dia torrando na praia heheheh Que linndo deve ser aí bah....Em breve vamos nos ver! Bjs

Carla disse...

Amei essas fotos lá de cima. A neve deixa tudo tão fotogênico!
Mais uma vez falo que estou adorando a viagem de vocês!!!

Leonardo disse...

Dá-lhe casal 20!
Além da maneira que vocês escrevem que encanta toda mundo, mas fotos que vocês estão fazendo estão fantásticas! A primeira da criança tá sensacional!!
Para mim que estou acompanhando desde o início, o mais legal é que eu não sei da onde vai ser o próximo post! Se ratiar semana que vem vocês vão estar na Sibéria, Groenlândia, Islândia ou até pelo Cassino mesmo! Grande Abraço!

seguidores no soundcloud disse...

Top top!!